Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

Feliz Natal e um próspero Ano Novo

José Pinto-Coelho -"Do Presidente aos Nacionalistas | Dezembro de 2009"


Ao terminar mais um ano civil, e em jeito de retrospectiva, muito haveria para referir, quer a nível nacional, quer a nível internacional, quer a nível do nosso combate político nacionalista: o PNR. Muito haveria para reflectir…

Foi um ano que começou ensombrado pela maior crise económica internacional de que há memória e da qual, os governos e os grandes detentores do poder mundial, ao invés de tirarem lições e inflectir o caminho desta globalização trituradora, limitam-se a mudar e remendar o que acham necessário, esmagando os mais fracos e gerando uma onda de desemprego assustadora, para que tudo fique na mesma, ou seja, para que os seus grandes interesses e objectivos mundialistas, ditados pelos padrões do capitalismo selvagem, permaneçam inalterados. Os Nacionalistas do nosso Portugal e os de qualquer outra Nação, pelo contrário, sabendo bem da imensa importância e necessidade que têm o mercado e o capital, sabem que estes têm que estar sob a regulação do Estado, ao serviço dos interesses da Nação, das famílias e dos trabalhadores e não para servirem interesses alheios e obscuros. Sabem que é imperioso devolver o primado à política retirando-o assim da economia, como se verifica no nosso tempo.

Os governos das Nações têm que regular os mercados para garantia do bem-estar das pessoas e progresso dos países. Tal não é possível num mercado globalizado de rédea solta. Pelo contrário, a política do proteccionismo tem que imperar, gerir as relações mercantis e optimizar a cada momento o equilíbrio possível entre as leis do mercado, as políticas internacionais e o grande objectivo de garantir ao país a maior independência possível e a dependência externa estritamente necessária. O que se passa actualmente é precisamente o contrário. E nós por cá, estamos cada vez mais à mercê dos mandos e desmandos que vêm de fora e “alegremente” vamos perdendo peso e soberania no concerto das nações.

Muito se passou no panorama internacional deste ano, e entre esses acontecimentos não posso deixar de referir a tomada de posse, também no início do ano, do Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama, que gerou uma verdadeira onda internacional de histeria delirante e patológica, como se se tratasse da Parusia (segunda vinda de Cristo à terra), o que revela bem o poder das campanhas mediáticas que, ao formatarem as mentes humanas, as inibem de pensar, relacionar dados, reflectir, filtrar informação, tomar posição consciente… Antes, impõe o conveniente “pronto-a-pensar” e “pronto-a-papaguear”…

Ele mesmo, Hussein Obama, sem saber como, acaba o ano a receber uma espécie de Óscar do politicamente correcto internacional: o Nobel da Paz. Inversa e curiosamente, os donos da “paz” no mundo ditaram o enforcamento de um outro Hussein, há precisamente três anos, em nome dessa tal “paz” que foi comprada com o martírio da nação iraquiana, soberana, mas que por interesses insondáveis tinha que ser “pacificada” e aderir “voluntariamente” à democracia. Para tal não hesitaram, os senhores do mundo, em forjar provas e inventar argumentos.

Esta mania que eles têm de brincar com coisas sérias, não olhando a meios para alcançarem os seus fins sectários e obscuros, está mais uma vez patente no acontecimento internacional que marca o final deste ano: a Cimeira de Copenhaga.
Ou melhor: a fraude de Copenhaga.

De novo, para alcançarem fins tenebrosos, os grandes manda-chuva mundiais, burocratas da ONU e não só, não pestanejam sequer em cometer as maiores tropelias e injustiças para levar a água ao seu moinho. E o mais grave é que são sempre estes mesmos que fazem (fabricam) a História. São eles que escrevem o que lhes convém, inventam e apagam a seu bel-prazer os factos da história, passado e presente, condicionando fatalmente o futuro. E depois proíbem (mesmo! E com perseguições) toda e qualquer cabeça pensante que ouse questionar, duvidar ou discordar dos factos forjados. Pessoalmente não acredito em quase nada do que nos é impingido e convido os Nacionalistas a que também o façam.

No que respeita ao teor desta cimeira, a questão do chamado aquecimento global, efeito de estufa e outros dogmas que tais, sempre os olhei de soslaio. Tresandam a fraude! Agora, com a cimeira, rebentou o escândalo conhecido como ClimateGate cujos fundamentos e contornos nada me espantaram: repressão de cientistas que discordam das posições que convêm, chantagens sobre publicações científicas, falsificação de dados científicos e estatísticos… Nada que não seja a prática corrente desta gente para proteger os seus sórdidos interesses que, regra geral, movem milhõe$, mas que não são seguramente os das populações, das Nações, da humanidade. Bem pelo contrário!

Assim se passa nos bastidores das grandes políticas internacionais e também nacionais. Nem tudo o que parece é. E é nossa obrigação, em nome da verdade e da evolução natural dos acontecimentos, termos uma postura de sentinelas e estarmos sempre vigilantes, pondo em causa os tabus erigidos pelo poder.

Eles fazem o querem e passam sempre (ou quase sempre) impunes! Têm os meios necessários para calar vozes incómodas, para encobrir as ilegalidades e imoralidades, para vender a banha da cobra, para impor dogmas e narcotizar o pensamento e a vontade das pessoas. Isso é também o que se passa em Portugal.

E é porque isso se passa também entre nós, com recurso às constantes e poderosas campanhas de propaganda e (des)informação, que se explica que se chegue ao fim de 2009 e o “palhaço” (o termo não é meu mas de um conhecido jornalista, e por isso não quero sequer imaginar que possa ser processado…) continue a mandar em Portugal. Que a Justiça continue a ser tudo menos isso mesmo, que o Processo Casa Pia se arraste e que afinal "não haja" pedófilos, que o Freeport acabe no esquecimento e arquivado na teia dos processos legais, que o Face Oculta rebente só depois das eleições. Que as pessoas continuem a votar nos mesmos de sempre e que são os grandes responsáveis pelo drama em que vivemos. Que muitíssimas pessoas que pensam como nós ainda continuem a ter argumentos vergonhosos, do estilo “vocês têm toda a razão e toda a minha simpatia, mas como não têm hipóteses vamos votar em tal”, e com isso entregam um voto a quem não merece… Que um candidato do PNR às Legislativas, por mero acaso de circunstância, tenha ido consultar os editais da sua Junta de Freguesia, no coração de Lisboa, e tenha verificado que na mesa de voto onde pelo menos ele, tinha assinalado a cruz na Chama, dessa mesma mesa constassem… zero votos no PNR (imagine-se isso multiplicado por milhares de mesas e tem-se uma noção das chapeladas da democracia…). Que a criminalidade seja encarada com naturalidade, como se fosse um preço a pagar por uma qualquer modernidade. Que o fosso crescente entre ricos e pobres seja cada vez mais gritante. Que todas as formas de subsídio sejam atribuídas ao imigrante invasor e que o português (e também o imigrante trabalhador) a eles não tenha acesso. Que se imponha a humilhação de um “acordo” ortográfico, subjugando a nossa língua mãe de Camões, ao pertuguêiss miscigenado do Brasil e África. Que se avance para a aprovação de aberrações, como a “educação” sexual nas escolas e os “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo com a cumplicidade e abertura de portas de todos os partidos parlamentares.

Enfim… com o desemprego a ultrapassar os 10% e a economia e insegurança no futuro a preocuparem, e com razão, os portugueses, os nossos governantes em vez de estimularem a agricultura, pescas, indústria e comércio, preocupam-se com outras “prioridades”. Em vez de se esforçarem por recuperar soberania e independência já perdidas, preocupam-se com outras “prioridades”.
Em vez de conterem e inverterem o endividamento externo, não param de o agravar, levando Portugal à falência, pois preocupam-se com outras “prioridades”.

Sim, o que importa é distrair as pessoas desviando as atenções para assuntos menores como o saga da jornalista de uma televisão privada, ou os arrufos entre Belém e São Bento ou também o roubo das corridas dos aviões do seu local habitual, revelando até neste caso uma notável falta de sensibilidade e bom senso.

É este o cenário triste do país no virar de mais um ano, onde nada se prevê que possa servir para acalentar algum optimismo (excepto para os transviados coloridos), pois com o habitual “mais do mesmo” só se pode esperar o óbvio: mais injustiça, mais deseducação, mais corrupção, mais insegurança, mais impunidade, mais desemprego, mais falências, mais desesperança…

A culpa não é só dos políticos medíocres que temos e das suas políticas suicidas e criminosas, mas também… dos portugueses que os perpetuam – activa ou passivamente - e que no fundo acabam por ter aquilo que merecem! Não se queixem esses e aguentem!

Mas como há, ainda assim, um punhado dos que não merecem tal sorte, e como uma Nação se compõe não apenas pelos presentes, mas também pelos antepassados e pelos vindouros, é grande a nossa responsabilidade neste pequeno elo que somos de uma corrente. Temos que respeitar a herança recebida e engrandecê-la para a deixar enriquecida, como legado, aos que nos sucederem.

Por isso nós, Nacionalistas, recusamo-nos a abdicar da luta e desistir!

Envoltos que estamos, nas maiores dificuldades inerentes aos partidos fora do arco do poder, e acrescidas ainda por sermos um partido estigmatizado (por sermos muito incómodos), os bons resultados eleitorais e os sucessos imediatos não se manifestaram ainda. Mas hão-de manifestar-se sim! Mas para isso, é precisa persistência e tenacidade. É preciso combate constante, sem quebrar nem vergar. É preciso afastar a tentação do imediatismo e a armadilha do desânimo.

O facto de o PNR ter consolidado uma base eleitoral e continuar a sua missão, enquanto que ao “nosso lado” muitos partidos (com muitíssimo mais meios) aparecem e desaparecem, já é uma nota sem dúvida positiva. O facto de o PNR ter sido convidado para integrar a “Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus”, justamente por dar sinais de credibilidade e constância, é sem dúvida uma nota positiva. Mas como também há aspectos negativos, para os superar, algo tem que mudar e renovar, e não tenhamos ilusões: a falta de meios será sempre a nossa companheira de viagem. Mas não pode ser justificação para o abandono e o desânimo, pois a determinação, essa sim, tem que se impor e levar-nos longe. Custe o que custar!

Assim, mantendo sempre a fidelidade à linha ideológica Nacionalista, aos pontos firmes que nos norteiam, e com a determinação inquebrantável de combater o sistema podre que nos aniquila o presente e o futuro, temos que repensar algumas estratégias e trilhar aguns novos caminhos. Com uma certeza porém: o PNR, comigo, é e será sempre um partido Nacional, Social e Radical. Um partido de combate! Sem medo!

Com esta vontade de renovar, reforçar e repensar o futuro, teremos no princípio de 2010 a nossa IV Convenção Nacional. Dela se espera que saia uma renovada dinâmica.

Pessoalmente, mantenho a palavra dada aos Nacionalistas de não desistir da luta e nela estar empenhado até ao limite das minhas forças e capacidades e reforço, agora, aquilo que disse em 2005, quando assumi a presidência do PNR: as dificuldades e os obstáculos que terei que suportar e transpor, os conflitos que terei que gerir e as difíceis decisões que terei que tomar e que raramente agradarão a todos, os riscos que terei que correr, movido por um desmedido amor à Pátria e à justeza da causa Nacionalista, o diálogo possível com todas as facções Nacionalistas, mas sem me enfeudar a nenhuma delas nem ceder a pressões ou ameaças, fazem-me assumir o combate, convicto de que não ficaria bem com a minha consciência ao ser espectador passivo do processo de destruição de Portugal.

É com este mesmo espírito que me apresento à IV Convenção Nacional do PNR. Conto convosco!

E desejo a toda a família Nacionalista, Festas Felizes, um Bom Natal e um 2010 cheio de sucessos e realizações.

José Pinto-Coelho 21 Dezembro 2009

PNR

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

Ligações-Estado Novo / III Reich

CADA UM DE NÓS DEVERIA SENTIR O ORGULHO DE SE AFIRMAR EUROPEU
(Oliveira Salazar, in: Discursos e Notas Políticas, vol. IV, pp. 418-419

Revista «Esfera»

Muito embora se mantivesse neutral durante a II guerra mundial,o regime salazarista mantinha uma clara preferência pelos nacional-socialistas,ao ponto de facilitar a movimentação dos seus agentes em Portugal,de colocar obstáculos à entrada de refugiados no país,sobretudo de origem judaica,o que chegou a ser alvo de um romance de Erich Maria Remarque,Uma noite em Lisboa,chegando a afastar o cônsul Aristides de Sousa Mendes por este passar vistos de entrada no país a alguns milhares destes refugiados.Para além disto,enquanto a censura se mostrava activa face a "ameaças" ideológicas de esquerda,tolerava(ou apoiava)a publicação de periódicos que claramente assumiam uma posição que favorecia os países que constituíam o eixo,nomeadamente a Alemanha,A Itália e o Japão.

Exemplo deste tipo de publicações é a revista A Esfera,sobre a qual não encontrámos referência na base de dados da Biblioteca Nacional,e de que damos aqui dois exemplos,os números 34 e 47,datados de 5 de Dezembro de 1941 e de 20 de Junho de 1942,publicada pela sociedade Editora A.L.M.A.,Ltd.,sediada em Lisboa,cujo director era Félix Correia(que,tanto quanto sabemos,foi presidente da assembleia geral do sindicato dos jornalista no biénio 1945/1946,e possui rua com o seu nome em Lisboa,dando igualmente o nome a uma praça na Reboleira),e editor Francisco Rodrigues Tôrres.De grande formato(36,6*27 cm),com 32 páginas,publicava diversas rubricas,entre as quais artigos que faziam claramente a apologia da Alemanha e dos seus feitos militares,destacando muitas fotografias de situações de batalha,dando ainda uma primazia a outros aspectos que enalteciam a arte e a cultura Alemãs,a sua capacidade fabril,publicitando as emissões da rádio Berlim,atacando os países comunistas,para além de mostrar diversos aspectos do então intulado Império Português e de outras demonstrações do regime,como eram a Mocidade e a Legião Portuguesas,sem esquecer algumas secções dedicadas à mulher,nomeadamente as que incidiam sobre a moda e a culinária.

O seu director Félix Correia,terá sido o mesmo jornalista que acompanhou a guerra civil de Espanha,pelo diário de Lisboa,juntamente com muitos outros deste e de outros periódicos,segundo relata um artigo de Alberto Pena Rodriguéz.























Desfile da Mocidade Portuguesa na Praça dos Restauradores,comemorações 1º Dezembro


Vista parcial do átrio do congresso no campo do partido do Reich,em Nuremberg












Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

A vida real do Dr. António de Oliveira Salazar(Sintese)



A verdadeira vida do Dr. Oliveira Salazar narrada pelas fontes mais credíveis, as pessoas do Povo que com ele viveram, trabalharam e conviveram, algumas desde a infância e juventude do antigo Presidente.
Da aldeia do Vimieiro a chefia do governo, passando pelas finanças.
Como recuperou um País em crise total, evitou a entrada do comunismo e afastou atitudes fascistas em Portugal.

Orgulhosamente Só

Como é próprio de uma época em que a traição, a vileza, a covardia e a
abjecção são os traços dominantes, o que se censura, hoje, a Salazar é o que
ele teve verdadeiramente de grande e elevado.
Classifica-se de atitude suicida a sua oposição férrea e persistente a todos os oportunismos e
a todas as diversas soluções políticas, que traduziam
apenas a vontade de não lutar pela integridade das fronteiras seculares de
Portugal, quando foi esse, ao invés, um dos seus mais belos títulos de nobreza:
ter reconhecido lucidamente que a única solução política digna era combater à
outrance pela grandeza da Nação, que só existia esse meio de conservar o que
era nosso há centenas de anos e de assegurar um futuro de prosperidade e
ordem e que, assim, no caso de se perder tudo o resto, se salvava, ainda, o
bem mais precioso de um povo, que é a sua honra. Porque sobrevive-se,
enquanto Pátria a uma derrota gloriosa, mas não a um abandono ao inimigo
por comodismo, medo, indiferença pelo interesse comum.
Salazar foi proclamado um carrasco por ter ordenado às tropas
estacionadas na Índia que se batessem sem esperança de vitória (ao contrário
do que acontecia nos demais territórios, nalguns dos quais se conseguiu,
consoante é o caso de Angola em Abril de 74, uma pacificação quase
completa) e exclusivamente para honrar a bandeira das quinas, sob cujas
dobras tantos prodígios de heroísmo se tinham desenrolado naquelas
paragens.
Da indignação da Esquerda nem se fala. Mas também na chamada
direita houve quem o reprovasse. Dum lado e doutro não havia sequer uma
compreensão mínima daquilo que exigiam e obrigavam as normas elementares
da ética militar e patriótica — dessa ética que levou Moscardó a não ceder no
Alcazar ao ameaçarem-no com o fuzilamento do filho, que fez com que
guarnições alemãs de cidades das costas normandas e bretãs, cercadas há
meses, esmagadas por bombardeamentos, ainda resistissem no segundo
trimestre de 45, que impeliu os Mas italianos, no momento em que foram
descobertos na noite pelos projectores do porto de Malta, a lançarem-se para a
frente, nenhum sobrevivendo, E, até, sem o estímulo do patriotismo, só para
cumprirem a sua palavra de soldados, se fizeram imolar no México, em
Camerone, os homens da Legião Estrangeira. Tudo isto, pelos vistos, não
passava de absurdos, tolices, tontarias, demências. E nem um simples «baroud
d`honneur», como o dos regimentos franceses de Madagascar, isolados e
abandonados, na altura do desembarque inglês na ilha, foi considerado
admissível. O que era louvável e de aplaudir era depor as armas sem tir-te nem
guar-te, no instante em que o exército adversário avançava em som de peleja.
A entrega pura e simples eis a solução. Salazar, que pensava de forma oposta,
assumiu as proporções de um monstro.
A vergonha da Índia, perante a qual não houve um sobressalto, unânime
ou quase, de dor e indignação, representou o teste, ou melhor, a provação
decisiva.
António de Oliveira Salazar compreendeu-o. E, se fosse da fibra moral
(ou imoral) dos que actualmente cospem injúrias sobre a sua memória, teria
arrepiado caminho. Poderia desse modo conseguir negrorianos encantados da
vida a protegê-lo e a louvá-lo, distribuir panem et circenses em abundância,
captando frenéticos aplausos das multidões, obter apoios calorosos das
potências dominantes, estar seguro de obter na história — escrita pelos
vencedores — as parangonas de um libertador formidável, à Roosevelt ou à De
Gaulle.
Não o quis, e, orgulhosamente só, preferiu manter-se ao leme
apontando a mesma rota, que era a rota do dever.
Ainda não tinha fechado os olhos e já se entrava no caminho das
autonomias crescentes para as províncias ultramarinas (que — admitia-se sem
rebuço — viriam acaso a produzir a independência futura das mesmas) como
se a missão do Estado fosse andar a semear Brasis pelo mundo, em vez de
velar pela intangibilidade do património histórico e espiritual herdado dos
antepassados.
Depois, os ventos semeados deram as tempestades previsíveis. Veio o
dia de S. Traidor e iniciou-se, oficialmente, a construção de um país novo — ou
antes de uma horda movida pelos instintos de prazer e egotismo —, para o que
procedeu, desapiedamente, à destruição do que era um autêntico país — o
nosso país. Em nome da edificação de um Portugal maior, reduziram-no a um
inviável e anárquico rectângulo peninsular. Em nome da liberdade, impôs-se a
ideologia obrigatória do antifascismo. Em nome dos direitos do homem,
espancou-se, torturou-se, elaboraram-se leis penais com efeito retroactivo,
agravadas a seguir por uma triste assembleia que se chama da República. Em
nome da paz, centenas de milhares de brancos, negros e mestiços tombaram
vítimas da descolonização exemplar, ao passo que milhões de outros, sem
serem ouvidos e achados, foram entregues ao jugo soviético. Em nome do
bem-estar dos desfavorecidos e desprotegidos, arrasou-se a economia,
estabelecendo-se o princípio, que conduz à miséria geral, de que o importante
é diminuir o trabalho e aumentar o ganho. Em nome da independência
nacional, mendigam-se empréstimos aos capitalismos lá de fora, empenhandose
o que nos resta.
Justo é que os autores dessa obra de aniquilamento total celebrem, com
júbilo, a data em que lhe deram início. Os profissionais das batalhas,
vocacionados pelo «appel des armes» de que falava Psichari, que juraram dar
a vida pela pátria e, ao fim de três ou quatro comissões em Angola,
Moçambique, ou Guiné, já estavam fatigados e o que queriam era retornar ao
remanso dos quartéis.
Só achamos mau que quantos o tornaram cinza e nada persistam em
falar em Portugal, no lugar de aludirem à admirável Abrilândia que edificaram
entre gente não remota e sem perigos e guerras esforçados.
Mas enquanto os coveiros da nação se arrastam no seu carnaval,
aqueles para quem a fidelidade não é uma palavra sã, para além dos vermes e
pigmeus actuais, volvem as suas mentes e corações para a figura cimeira de
Salazar, o derradeiro estadista nascido nesta terra para quem se pode erguer o
pensamento sem se ter de corar de pejo e tristeza.

António José de Brito

O “ESTADO NOVO” E O ESTADO

O termo "Estado" é empregue em muitos sentidos, dentre os quais três são de assinalar com destaque: 1) “Estado” enquanto sinónimo de comunidade autónoma, organizada politicamente, isto é, sob a égide de um Poder soberano; 2) “Estado” enquanto sinónimo, precisamente, do Poder soberano existente em tal comunidade; 3) “Estado” enquanto sinónimo de mera aparelhagem burocrática (acentuemos que é com esse significado que o nacional-socialismo, ou, pelo menos, a tendência dominante entre os autores nacionais-socialistas alude ao Estado – “Der Staat ist ein Apparat”).
Que não se concebe comunidade ou sociedade (prescindindo, aqui, da distinção célebre formulada por Tonnies) sem um Poder supremo parece-nos um axioma indiscutível. As pessoas e os grupos não se integram, espontaneamente, numa unidade, antes tendem para a divergência e a dissociação (Conforme dizia Maurras “ce qui m'étonne ce n'est pas le désordre, c'est l'ordre”). As suas actividades têm de ser coordenadas, fiscalizadas, disciplinadas, para delas resultar uma totalidade harmónica. Essa a missão capital do Poder que, para o efeito, precisa de possuir ao seu dispor dos instrumentos adequados.
A força, o volume, o âmbito de aplicação de semelhantes instrumentos têm de ser encarados pragmaticamente, em relação com a conservação e o desenvolvimento da comunidade cuja sobrevivência o Poder deve assegurar. A denominarmos “Estado” a aparelhagem de que o Poder se serve, não vemos que o seu dimensionamento possa ser traçado a priori. As circunstâncias é que permitem decidir em cada caso concreto. Onde os perigos de dissolução e as ameaças de anarquia forem grandes, decerto que o Poder está na obrigação de estender o domínio de intervenção dos chamados órgãos estaduais, a fim de reprimir e dominar os factores de desagregação. Onde se verifique o inverso já o Poder dispõe da possibilidade de reduzir o número e a esfera de acção directa desses ór-gãos, diminuindo-a ou tornando muito mais flexível.
Decerto, o ideal é que pessoas e grupos, por si, sem pressões exteriores, desempenhem na promoção do bem social as funções positivas que tenham capacidade para exercer utilmente - capacidade, não muito larga, é evidente, visto que o interesse geral só pode ser cometido a quem esteja na perspectiva do universal e não numa perspectiva de particularidade, conforme é o caso das pessoas e grupos, divergentes entre si. Mas como o universal não é nada de separado dos diversos elementos singulares (pois que, então, o universal seria, por seu turno, também um elemento singular), antes é aquilo que neles está presente, ligando-os, unindo-os, harmonizando-os, admitimos perfeitamente que, para a própria promoção do universal, a actividade não coagida das pessoas e grupos, em consonância com o Poder que, por sobre eles, os integra num todo, seja preferível e mais eficiente do que uma actividade estruturada a partir de cima, impulsionada de modo imediato pelos organismos emanados do Poder. Simplesmente, que há-de este fazer, se pessoas e grupos, em vez de desempenharem funções positivas, no plano em que as conseguem desempenhar, entram no cultivo dum egoísmo atomístico, num subversivismo manifesto?
Claro que intervir ampla e acentuadamente. Talvez se perca em eficácia em comparação com a solução preferível? Sim, do mal o menos, porém.
Sirvamo-nos de uma comparação grosseira, porque abstrai de certas considerações de ordem sobrenatural. Considerada a família a célula social, é incontestável que os pais são quem a pode chefiar da melhor maneira. Eles são, em princípio e normalmente, os melhores “funcionários” da sociedade. No entanto, se os pais educarem os filhos para o crime, para a perversão, etc., há que retirar-lhes o pátrio poder e confiar a tutela daqueles a individualidades designadas pelos tribunais ou a determinadas instituições, oficiais ou particulares, reconhecidas como idóneas. Não sustentamos que isto seja uma situação esplêndida. É, todavia, preferível a deixar correr as coisas.
Um autor entusiasticamente adepto da descentralização - José Pequito Rebelo - em texto inserido na segunda edição de “Pela Dedução à Monarquia” admite (salvo erro, pois estou a citar de memória) que, provisoriamente e perante a perversão derivada de um século de demo-liberalismo, o Estado absorva, ou quase absorva, a nação, com a finalidade pedagógica de diminuir ou suprimir os ímpetos centrífugos e destruidores para que, depois, os vários corpos sociais possam exercitar sem peias as tarefas que lhes são próprias.
Prolongando e desenvolvendo, por nossa conta, esse ponto de vista - e mantendo como meta final o equilíbrio das liberdades “em baixo” com o predomínio da Autoridade “no alto” - diremos que o dimensionamento dos instrumentos burocráticos do Poder é coisa relativa, que depende dos condicionalismos. O que numa certa conjuntura é desejável noutra é imprudência. O que numa é excessivo noutra é indispensável.
Estamos perante matéria contingente. É esta a primeira razão porque não é resolver o problema do Estado a tentativa de dosear o grau da intervenção dos seus instrumentos. Ela jamais pode fixar nada de definitivo. E, por maioria de razão, a descoberta dos meios indicados para concretizar esse grau de intervenção representa, apenas, um problema técnico, de alcance limitado. Aumentar ou diminuir os ministérios, dividir os serviços burocráticos por vários centros ou concentrá-los, predominantemente, numa capital, é questão a discutir, sem dúvida, contudo de interesse reduzido. Salvo o devido respeito pela opinião contrária, a tomada das capitais não corresponde a algo de decisivo. Com Paris conquistado, a França continuou a resistir até ao armistício e, se desse ouvidos a De Gaulle, prosseguiria na luta. Com Madrid nas mãos dos vermelhos, em Março de 1939, o governo republicano não passava já de simulacro. E se D. Manuel tivesse desembarcado no Porto a república não se poderia considerar ainda vitoriosa, apesar de Lisboa estar nas mãos dos republicanos.
De qualquer forma, centralização ou descentralização são inteiramente condicionadas, na sua validade política, pela estrutura e organização interna do Poder. Com um Poder fraco e dividido, a descentralização é a antecâmara do caos e a centralização equivalente a impotência e paralisia. Já com um Poder forte e coeso a descentralização revela-se, acaso, em determinadas ocasiões oportuníssima e a centralização pode dar bons frutos, apesar dos seus inconvenientes.
E eis a segunda razão porque resolver o problema do Estado não é o mesmo que tentar circunscrever e delimitar a extensão do terreno em que devem actuar os instrumentos que o Poder utiliza. A forma assumida por este é que determina as possibilidades de actuação dos seus órgãos e agentes. “Politique d'abord”. Uma aparelhagem dúctil e ligeira em mãos ineptas não serve de nada. Um mecanismo, ainda que pesado e difícil, em mãos firmes é capaz de prestar bons serviços.
Pode-se andar com os pés apertados como a mulher chinesa, ou com pés espalmados como os dos negros de certas tribos. Mas se o cérebro, com os seus centros nervosos, não comanda os movimentos, a deslocação é impossível e a paralisia é inevitável, por muito bem constituídos, anatomicamente, que estejam os membros inferiores. O primeiro passo, pois, para resolver o problema do Estado e o das instituições em que se corporize o Poder é a chamada questão do regime.
Para além dela, no entanto, há ainda algo de mais relevante, de mais proeminente e destacado: é a resposta à pergunta para que serve o vínculo social, para que serve a comunidade política. É ela um fim último, um fim em si mesmo? Está, axiologicamente, colocada abaixo da liberdade dos indivíduos e das pessoas, existindo, em última análise, para promover, assegurar, esta última? Ou sendo superior aos indivíduos e pessoas está ordenada a um fim mais alto, a um Absoluto transcendente, que também é o fim dos indivíduos e pessoas? Trata-se dos temas decisivos, que dizem respeito ao destino do homem, aos direitos, aos deveres, ao sentido a imprimir à sociedade no seu conjunto.
O tipo de organização interna do Poder depende da solução dada a estas dúvidas. Se as pessoas e indivíduos são o valor máximo, evidentemente que têm de intervir decisivamente no Poder, dispôr dele, numa palavra. É uma exigência intrínseca da dignidade que lhes pertence o auto-governar-se e não serem hetero-governadas. Em contrapartida, pode entender-se que um Poder organizado assim - às ordens do somatório das vontades das pessoas - tem legitimidade para estender ao máximo a sua esfera de intervenção. Isso só significaria um esforço de protecção e segurança do maior número de indivíduos. E também se poderá pensar o contrário e sustentar que os órgãos do Poder se devem restringir ao mínimo sendo isso a melhor garantia de respeito pelas pessoas. Numa palavra, estamos perante uma simples discussão de meios e unanimidade quanto aos fins. Centralização e descentralização são ambas, em princípio, compatíveis com uma axiologia personalista ou individualista.
Mas se se considerar, ao invés, que a comunidade política é o valor máximo, o Poder terá de estar acima da vontade dos indivíduos e destinar-se a impôr-lhes uma disciplina exclusivamente supra-pessoal. Terá de ser um Poder independente, que apenas expresse esse interesse colectivo, por hipótese auto-suficiente. Nada impede, todavia, que se entenda que a comunidade política, proclamada fim de si mesma, está mais bem articulada, e desenvolve-se e potencia-se de maneira superior, se nela imperar um bom nível de descentralização. Ou que se julgue que o oposto é que é verdade.
Quer dizer que, também, centralização ou descentralização são compatíveis, em princípio, com uma axiologia totalista e imanentista.
Análogas reflexões são concebíveis no tocante à tese do primado da sociedade sobre a pessoa, embora ordenada a primeira a um fim último que a ultrapassa e transcende.
Isto demonstra, segundo imaginamos, que encarada do ponto de vista da simples existência da sociedade a questão descentralização - centralização não passa de um ponto de mera decisão conjuntural, sempre dependente, aliás, da forma como o Poder está internamente estruturado. E, no que diz respeito às noções éticas decisivas, concernentes ao sentido da vida política, ela é adiáfora, isto é, alheia às mesmas, que não impõem, do ponto de vista axiológico, uma solução centralizadora ou descentralizadora.
Assim, o fundamental é, a nosso ver, o problema do fim derradeiro da comunidade e o da organização interna do Poder que se conexiona em relação recíproca com o primeiro e directamente com o da eficácia da acção chamados organismos estaduais, estejam desenvolvidos e estruturados como estiverem.
Examinemos o Estado Novo de Salazar à luz de quanto expusemos. Supomos perfeitamente lícito sustentar que ele se distingue do “statu quo” vigente no que mais importa: no tocante à axiologia e no tocante à organização interna do Poder. O “statu quo” vigente é inspirado pela ideologia demo-liberal e seus prolongamentos marxizantes. O Estado Novo era guiado por um nacionalismo não totalitário uma vez que admitia que a pessoa existiu para Deus - e Deus concebido de acordo com o Catolicismo - mas autoritário, porque, no plano natural, sustentava que a pessoa, para atingir a sua finalidade suprema, devia submeter-se à comunidade posto que, de acordo com o ensinamento de Aristóteles e de S. Tomás, o bem da cidade é mais divino do que o bem de um só.
O “statu quo” vigente é partidocrático, divisionista, sufragístico, defendendo a tese curiosa de que os governados é que devem governar e ser governantes. O Estado Novo suprimiu o fragmentarismo partidário, exalçou as virtudes do governo de um só ainda que de maneira imperfeita e sem jamais chegar às devidas conclusões institucionais. Aqui, neste particular, é que me parecem merecidas as críticas.
Seja como fôr, as divergências no essencial são flagrantes. Que houvesse mais ministérios do que na I República (embora menos do que hoje) não imaginamos que importe muito se a direcção (nos dois sentidos da palavra direcção) que lhes foi imprimida era radicalmente diversa.
Acaso a centralização do Estado Novo, por vezes, resultou excessiva e, noutros casos, pouco hábil. Depois de cerca de cem anos de desordem democrática, que não se cura numa ou duas décadas, supomos impossível seguir outro rumo. Se alguém recebeu uma “pesada herança” esse alguém foi Salazar.
Dadas as discrepâncias de orientação no que é básico entre o Estado Novo e o “statu quo” vigente julgamos profundamente equivocado apresentar este qual sucessor doutrinário daquele. Se há sucessão, é puramente cronológica, já que a relação entre um e outro, no que concerne ao essencial, é de antagonismo irreconciliável, um antagonismo do tipo do que existe entre a verdade e o erro, o ser e o nada.

ANTÓNIO JOSÉ DE BRITO

Domingo, Dezembro 13, 2009

Di Canio: "Sou fascista e não racista"



Há cinco anos, o dérbi de Roma deu a volta ao mundo com a saudação nazi do avançado da Lazio

É um génio da bola mas nunca jogou na selecção italiana. Já empurrou um árbitro inglês mas ganhou o prémio fair play da FIFA. Não tem curso de treinador mas candidatou-se ao lugar no West Ham em 2008. Esta espécie de Dr Jekyll e Mr Hyde é Paolo di Canio, de 41 anos. Jogou em dez clubes - o último dos quais o Cisco Roma, da 3.a divisão italiana, há apenas um ano - e partilhou balneário com Jorge Cadete (Celtic) e Paulo Futre (Milan), dois ícones portugueses dos anos 90. A sua história de vida no futebol dava um livro e já está escrita pelo próprio mas quis saber um pouco mais dele, que fala pelos cotovelos. Tudo isto a propósito da sua saudação nazi aos adeptos ultra da Lazio. Faz hoje cinco anos.

Paolo, boa tarde! Há cinco anos, você saltou para as primeiras páginas dos jornais. Até o Berlusconi interveio...
E defendeu-me. Ou melhor, não me criticou. Já nos conhecemos há muito e somos amigos [Berlusconi contratou Di Canio para o Milan em 1994, mas ele bateu de frente com Capello, além de não conseguir roubar o lugar de titular ao holandês Gullit].

Mas que aconteceu ao certo?
Aconteceu que marquei um golo no dérbi de Roma e festejei-o exuberantemente. com a saudação nazi. No final do jogo, repeti o gesto porque um dérbi é um dérbi e o de Roma é uma coisa indescritível. Na semana que antecede o jogo, há oito rádios que transmitem diariamente noticiários sobre histórias, actualidade, entrevistas a personalidades. É uma atmosfera completamente diferente, mas muito nacionalista. Com a minha saudação, o dérbi teve um mediatismo internacional.

Mas pelos piores motivos...
Apenas expressei os meus sentimentos. Sou fascista, não racista. Com o braço estendido em direcção à minha gente, de um camerata para os camerati [linguagem dos membros do movimento fascista de Benito Mussolini, um chefe político que muito apreciava a Lazio pelas suas ligações histórias e até centenárias ao fascismo, devidamente comprovadas pelas iniciais SS, de Societá Sportiva], não quero incentivar a violência ou descriminar ninguém. Sim, é verdade, tenho tatuado no meu braço a palavra "Dux" [o equivalente latino para Duce, ou Mussolini], mas o fascismo é mal-entendido por muito boa gente. Os seus princípios são éticos e individuais.

Em Inglaterra, ficou conhecido por ter empurrado um árbitro, depois de ter visto um cartão vermelho.
Foi só um empurrãozinho e ainda hoje me pergunto como é que ele caiu com aquele estrondo. Já vi aquilo milhões de vezes! Na altura até pensava que alguém se tinha posto atrás dele e forçado a sua queda, como aqueles sketchs cómicos. Incrível. Porra, fui suspenso por 11 jogos. Mas é verdade que foi um acto indesculpável, que não recomendo a ninguém, mesmo que o árbitro assinale tudo contra nós, porque há crianças que estão a ver-nos e damos um péssimo exemplo. Mesmo que os árbitros mereçam mais que um empurrãozinho. Era preferível chamar-lhe pedaço de merda ou outra coisa qualquer.

Nesse jogo, a caminho do balneário, quase agrediu um rival, não foi?
Sim, o Nigel [Winterburn, do Arsenal]. Ele foi um maricas e nem sequer me encarou. Apenas me insultou e eu fiz-lhe aquele olhar de raiva. Ele saiu a correr. Mariconço. Que querias que fizesse? Que fosse a correr atrás dele até o apanhar? Aquilo era futebol de gente grande, não de miúdos da escola. Além disso, sei que era mais rápido que ele, mas sabes uma coisa? Agora somos grandes amigos, daqueles que trocam mensagens nas épocas especiais, como o Natal, e nas outras não festivas.

Sempre foi um jogador com um temperamento especial. Além do Winterburn, também me lembro de discussões com Frank Lampard e Simone Inzaghi, verdade?
Ei, eu sou um bom companheiro, daqueles que aceitam ordens, mas se achar que posso fazer a diferença neste lance ou naquele, faço. E aí não há ordens de treinadores ou de capitães, que não foi o caso com Lampard e Inzaghi. Com o Lampard foi no West Ham-Bradford, que ganhámos 5-4 em casa, a perder por 4-2 aos 64 minutos. Foi falta dentro da área sobre o Frank e eu tinha falhado um penálti na semana anterior. Talvez ele - atenção, talvez - tenha pensado que era a vez dele de marcar o penálti. Mas não. Fui lá, tirei-lhe a bola das mãos e marquei golo. Sabes quem era o meu treinador nessa altura? O Harry Redknapp [tio do Lampard]. Comigo não há segredos nessas situações. Se eu sinto que posso marcar, arrisco. Com o Inzaghi já foi diferente. Então ele queria marcar um penálti com 0-0 no marcador, no jogo que marcava o meu regresso à Lazio, à minha Lazio, 16 anos depois? É preciso ter um cérebro do tamanho de um amendoim para se julgar mais que eu nessas circunstâncias. Ainda por cima ele falhara um penálti na época anterior ao tentar fazer um chapéu ao guarda-redes. Sabes o que me disse ele no balneário depois de fazer o 1-0 nesse penálti? Nada. Ele não tinha tomates.

Desentendeu-se com Trapattoni, foi posto de lado por Capello e a lista ainda agora começou. Alguma vez pensou ser mais sociável?
Sim, já sei que sou o culpado. O mordomo sou eu. Mas neste mundo é assim, quem desabafa fica sempre com as culpas. Então não posso refilar ou protestar quando sinto que as coisas estão mal? Se fosse mais calmo, não teria sido o jogador que fui. Quando me irritava a sério, lá tinha de ser o melhor em campo. Mas pensas que sou o mais maluco? Olha que estás enganado...

Então?
Então? Então que não conheces John Moncur!

É aquele que abdicou da camisola 10 para o Futre, no West Ham?
Vai dar uma volta! Isso sabe-se aí? O mundo é mesmo pequeno, porra! Olha, eu também fiquei com a camisola 10, como o Futre, que era um gajo sensacional, mesmo! Era daqueles com quem dava gozo falar, porque era descontraído e brincalhão, sem stresse. Só essa mania da camisola 10, como eu. Bem, mas o Moncur era o gajo mais maluco. Aliás, ele cedeu o número 10 ao Futre em troca de umas férias no Algarve. Logo por aí, podemos ver a pancada do homem. Mas ainda não viste nada. Um dia, em pleno Inverno, Dezembro, Janeiro, sei lá, apareceu nu no treino, com o pénis a dar a dar, de um lado para o outro. E estava um gelo brutal. E ele nu, a fazer a dança do pénis. Às tantas, tropeçou e caiu numa poça de água. Foi para o balneário a tremer como sei lá o quê.

Mudado de assunto, qual foi o melhor jogador com quem já jogou?
Joguei no Milan, ao lado de Van Basten, Gullit e Baresi, mas tenho de ser honesto: em todos os sentidos, o melhor foi Gianluca Vialli [avançado, como Di Canio, italiano como Di Canio, calvo como Di Canio, que granjeou fama na Juventus, ao contrário de Di Canio]. Estava acima de todos os outros. Estamos a falar de uma pessoa que nasceu num berço de ouro, que veio de uma família rica. Em Cremona, ele tem uma mansão com 40 quartos. No entanto, fazia sacrifícios como qualquer outro e nunca se queixou. Ver aquilo transformou-me como pessoa e como jogador. Ele era daqueles que ficavam 30/40 minutos a treinar remates enquanto os outros já estavam a tomar banho ou até a caminho de casa. Olhava para ele e dizia: "Foda-se [fuck]! Podia viver no Mónaco e está ali a fazer remates para uma baliza deserta, debaixo de um temporal."

No Celtic, só ficou uma época, ao lado de Jorge Cadete. Como foi?
Fantástico. Tanto quanto sei ele fez a melhor época de sempre, marcava de qualquer lado e os adeptos cantavam- -lhe mil e uma músicas. E o Van Hooijdonk [que depois jogou no Benfica] também marcava que se fartava. E eu também. Éramos um trio que se entendia às mil maravilhas, embora não tivéssemos ganho nada colectivamente nessa época. Mas vingámo-nos em termos individuais: o Cadete foi o melhor marcador da Escócia e eu fui eleito o melhor jogador do ano. Ora, quando me contratou, o presidente do Celtic prometeu renovar o meu contrato se eu jogasse bem. Fui eleito o melhor do ano, algo que é objectivo e não subjectivo, e ele disse que não, que eu não servia. É muito simples, eu não jogo para mentirosos e traidores.

Veja aqui os cinco melhores golos e o "empurrãozinho" ao árbitro: